quinta-feira, julho 28, 2005

Na correnteza da maré


Rasgo a roupa gasta pelo mesmo rodar dos dias,
Mergulho num mar agitado,
De águas frias e transparentes...
Com o sal, mistura-se o suor dos corpos,
Depois de uma noite dormida com prazer inventado.
Procuro na imensidão do oceano,
O outro lado de mim...
Afogo as palavras que me prendem,
E solto-te na correnteza da maré,
Na esperança que leves contigo,
Desejos que não consigo conter em mim...

segunda-feira, julho 25, 2005

Faz tanto tempo...

Sempre que me invades nos sonhos, abre-se a ferida que a tua partida deixou em mim...
Faz tanto tempo que te foste, que mal consigo lembrar a expressão do teu rosto... só com muito esforço consigo recordar o brilho dos teus olhos, o calor do teu aconchego... Sinto-me tão culpada por isso...
Os dias passam e cada vez me pareces mais longe, tenho tantas coisas na minha cabeça que os dias se tornam pequenos para te ter no pensamento...
Tu sabes a dor que me acompanhou ao longo destes anos, não sabes? As lagrimas que derramei na minha cama quando já todos dormiam, da falta que me fizeste quando surgiram na minha vida as primeiras preguntas...
Tu deixaste-me com a ideia de que a vida era uma brincadeira constante, nunca me falaste que o amor doi, que o odio existe, que a dor e o desespero por vezes nos acompanham, e não sabes o que foi descobrir tudo isto sozinha...
Foram tantas as vezes que escondi as lagrimas, por vergonha da minha fraqueza em necessitar tanto de alguém...
E há noite, na escuridão e no silêncio do meu quarto, chamava por ti, em silêncio... Ninguém me via... Ninguem me ouvia... Ninguem sabia que dor me atormentava... E achava que assim ninguém se iria sentir na obrigação de me dar uma palavra de conforto...
E quando o cansaço se apoderava do meu corpo, fechava os olhos e dizia a mim mesma que um dia iria ser como tu... e adormecia a sorrir...
Hoje... passados estes anos todos, ainda chego a pensar que um dia serei como tu... mas já não tenho muitas esperanças... confesso... Acho que te desiludo em muitas coisas...Perdoa-me por isso...
Por mais que não goste eu serei sempre a despistada que se esqueçe tantas vezes de coisas importantes, a que nunca sabe onde deixou a carteira, a romântica que ama impossíveis, a que só pensa depois do mal estar feito, a apaixonada pelas coisas loucas, por perder-se por ai e... seja o que deus quiser...
Eu, não sou como tu mãe...
Não tenho as tuas ideias, não sou vaidosa, não penso no amanhã, não sou um exemplo de dona de casa (embora esteja muito melhor nesse sentido)...
E dize-lo, faz-me doer o peito...
Porque apesar de tudo isto... Sei que estarás sempre aqui (em espirito) embora não te consiga ver, nem tocar, nem sentir esse beijo de boas noites... Sei que estarás sempre comigo... no meu coração...
E se os dias teimam em querer apagar-te da minha memória, eu sei que jamais sairás do meu coração...
Este amor que sinto por ti, permanecerá para sempre, porque acredita, não há nada melhor no mundo que saber que corres sempre em meu auxilio...

Obrigada Mãe... Pelas palavars que me transmites quando me embalas no mais brando dos sonos...

Com saudade...

segunda-feira, julho 18, 2005

Hoje sinto-me triste...


Há momentos na nossa vida em que não sabemos porque é que não conseguimos dizer nem sequer um ai... e suspiramos...
Há dias em que acordamos com medo do futuro e com uma vontade enorme de mudarmos o que nos vai na alma... de gritar...
De voltar atrás e fazer tudo de novo... de uma outra forma...
De pintar a vida com outra cor, com outra luz... aquela que nos acompanha e ilumina....
Hoje... sinto-me no vazio... na escuridão....
e o que tenho há minha volta?
Silêncio...
Apenas silêncio... que me consome, que me faz sentir pesada... sufocada...
Dá-me a tua mão... porque me sinto perdida... Tu sabes o caminho?...
Ou estaremos os dois perdidos?
O que é feito da nossa vida? Para onde foi a inocencia do nosso amor?...
Tantas coisas mudaram... e agora?...
Saberemos encontrar o caminho?
O nosso caminho?...
Sinto-me perdida, amor... E os sentimentos parecem fugir de mim...
Desta vez não vou voar... Agarra-me... Não me deixes aqui... dá-me a tua mão...
Que juntos chegaremos lá...

quarta-feira, julho 06, 2005

Deixa-me ler-te...


Deixa-me ler-te... e promete-me que vais escrever o que sentes sempre que te apetecer...
Promete que vais misturar frases soltas com conteúdos verdadeiros...
Que vais usar as palavras todas...
Mesmo aquelas que não existem... ou que se julgam extintas...
Promete que abrirás o teu coração...
E registarás no papel aquilo que te vai na alma...
Para que não se percam por ai
Sentimentos que se querem abraçar...
Promete que vais escrever-te...
Com a tinta da dor, da alegria...
Que farás das palavras a ponte que nos une...
Que por mais dor tenhas...
Por mais só que te sintas....
Por mais que a loucura te invada
E que a saudade teime em não desaparecer
Por mais longe que esteja...
Promete-me...
Que vais sempre, mas sempre deixar-me ler-te...